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Macabre - Uma Entrevista com Lukão (Scalene)

Por Ariel Andrade

Chegando com os dois pés na porta do programa global Superstar, a banda Scalene conquistou muitos ouvidos brazucas com sua participação e fez com que o rock nacional voltasse a ser motivo de pesquisa e notícia. Não enganem-se, a Scalene é apenas uma das centenas de bandas que estão produzindo rock de qualidade no país do samba e assim como todas as outras ela vem batalhando por algum espaço há algum tempo e conquistando platéias por onde passa. Comigo não foi diferente, apesar de ter alguns amigos em comum e ter tocado nos mesmo festivais que eles, nunca tinha parado para escutar o trabalho deles na íntegra e aquela primeira apresentação no Super Star foi como um interruptor pra mim, fui pesquisar e surpreendido, gostei demais. Pensei que deveria trazer isso aqui pro site pra comunidade do baixo poder conferir também um pouco do que tá rolando na carreira dessa galera. Batemos um papo super interessante com o baixista Lukão sobre carreira, equipamento, influências e aqui está na íntegra para vocês.

Em relação ao Superstar. Como foi essa experiência e como se adaptar a toda essa mudança de rotina e público que certamente vocês tiveram em um espaço de tempo tão curto?
Foi uma experiência muito enriquecedora. Tivemos contato com músicos de vários estilos com vivências e percepções diferentes e com certeza pudemos absorver muito disso durante esse período. O aumento do público foi bem legal. Nosso som chegou aos ouvidos de muita gente e a repercussão disso foi extremamente positiva. Já tinhamos uma carreira consistente como banda independente e, após o programa tivemos a oportunidade de ampliar tudo o que estávamos fazendo antes.

Como foi o processo de criação dos arranjos de baixo no disco novo? Como funciona o processo de composição na Scalene?
Para nosso último disco, ÉTER - lançado em 2015, o processo de composição foi bem democrático. O Gustavo (vocalista) chegava com algumas ideias no estúdio e dai nos trabalhávamos em cima disso, fazendo jams e criando cada parte da música em conjunto até a música ficar bem estruturada. Depois partimos para um processo de lapidar os arranjos e deixar as músicas prontas.
Baseado nessa forma de composição eu sempre crio uma “base” bem simples durante o período de estruturação das músicas. Isso me ajuda a compreender bem o espaço sonoro que eu vou ter para criar levando em consideração a harmonia, melodias das vozes e outros intrumentos e a célula rítma. Depois disso, quando iniciamos o processo de arranjar mais detalhadamente a múscia eu já tenho uma boa noção de onde eu posso ousar mais e onde a música exige que o baixo seja mais conservador e assim eu vou complementando os arranjos. Parece bem mais complicado do que realmente é e muitas vezes todas essas “etapas” levam apenas um ou dois ensaio pra serem concluídas.

O que você usou de equipamento na gravação de Éter? Qual o setup que você vem usando na estrada?
Em estúdio gravamos o baixo em duas vias. A primeira via é sempre limpa: Ligamos o baixo num divisor de sinal (geralmente usamos meu Bass Big Muff pra isso pois ele tem uma saída limpa e outra que é afetada pelo pedal quando ele está ativo) e do divisor direto em um pré da NEVE, que é meu preamp favorito para gravação. Utilizamos essa via limpa para que seja sempre possivel ter os graves e médios limpos durante a mixagem, caso seja necessário reintroduzir alguma dessas frequências na mix. A segunda via passa pelo divisor de sinal e vai para um Fractal AXE FX. Nele simulamos alguns amps (geralmente um SVT ou um Bassman, dependendo do som que queremos em cada música) e utilizamos essa via para colorir bem a sonoridade do baixo na gravação. Nessa via também usamos distorções (digitais utilizando o próprio Fractal ou usando pedais na cadeia) e aproveitamos para moldar o timbre de acordo com a música. No disco você ouve a mistura desses dois canais.
Pra gravação do ÉTER eu utilizei um Fender Deluxe Jazz Bass (ativo, mexicano), O Giannini Formigão e um Fender Jazz Bass Modern Player. Não lembro qual baixo usei em qual faixa em relação ao disco inteiro mas tenho certeza que gravei Histeria com o Jazz ativo, Alter Ego com o Formigão e Legado com o Modern Player.
− Na estrada meu set é bem diferente. Eu uso uma mistura de pedais digitais e distorções analógicas e consigo ter uma quatidade de timbres enorme com isso. Minha board é (na ordem da cadeia):
− Digitech Bad Monkey (para um overdrive leve com boost nos médios)
− Way Huge Swollen Pickle (fuzz gordo, fechado e bem sujo)
− Malekko B:Assmaster (fuzz aberto, alto, agressivo, do inferno que faz crianças chorarem)
− Line 6 M5 (pra basicamente qualquer com louco que eu use ao vivo – ambiências, delays, filtros, osciladores, pitch shifters)
− TC Electronics Hall Of Fame (reverb lindo pra preencher bem o som em passagens mais lentas ou criar ambiências entre as músicas/interlúdios)
− Zoom B3 (basicamente como simulador de amp. Ultimamente uso a simulação do Ampeg B15 como meu timbre principal e a simulação do Bassman e do Minibrute em algumas músicas específicas). Eu uso o B3 ligado diretamente na mesa, então o som que a galera ouve no show é o som dele servindo como um amp pra mim. O amp que eu uso no palco serve apenas como monitoração para nós durante o show e não afeta em nada o som para o público.
− Eu uso o Formigão como meu baixo principal e meu backup até esse ano era o Fender ativo mas estão vindo novidades por aí, hehehe.

Confira o nosso PEDALBOARD com o Lukão:

Se fosse pra escolher só um pedal do seu board, qual seria?

 Essa pergunta é muito dificil hahaha. Cada pedal que eu tenho está no meu acervo por algum motivo, até os que nem fazem parte da minha board. Mas se tivesse que escolher apenas um acho que ficaria com o B3. Ele é muito versátil e quanto mais eu uso mais eu descubro coisas iradas nele.

Percebi que você não larga o seu Giannini "Formigão". É o seu baixo favorito? Conta pra gente o por que dessa paixão?
Entre os baixos que eu possuo o Formigão com certeza é meu favorito. Cada vez mais o som dele se torna minha referência de timbre pras músicas do Scalene. Por ser um baixo de mogno da década de 80 ele tem um grave consistente mas na minha opinião a melhor característica dele é o médio extremamente agressivo que soa muito bem dentro da sonoridade que eu busco. Ele não é o baixo mais confortável nem mais fácil de tocar mas usar ele ao vivo faz toda a diferença nos nossos shows. Eu toquei em um lá pra 2009/2010 e fiquei fissurado no som. Anos depois consegui ter o meu através de uma troca e desde então ele tem sido meu baixo principal (desbancando Fenders, Ibanez, Squiers e Washburns que tive no passado). Muita gente torce o nariz pra marca ou pro modelo mas pra mim esse baixo sempre foi amor à primeira tocada e acredito que mesmo que eu troque todo o meu setup algum dia, ele vai continuar no meu acervo.


Notei que você curte muito o uso da palheta. O que mais te atrai nessa prática? Achas esse timbre com ela fundamental no som da Scalene?
Eu sempre curti o som do baixo tocado com a palheta, mas demorei muito para desenvolver minha pegada utilizando uma. O som cortante que a palheta proporciona é fundamental pra sonoridade que eu desejo antingir. Logicamente não são todas as músicas que devem ser tocadas sentando a mao com todas as forças e palhetando sem parar, por isso durante nosso set ao vivo em vários momentos eu alterno entre palheta e dedos, sempre buscando atingir o som que cada música precisa.

A scalene tem influências de diversas bandas tais como QOTSA e Radiohead. Mas e você? Quais as suas maiores influências como baixista?
Eu curto muito essas bandas que são influências gerais pro Scalene mas minhas preferências musicais vão pra outros lados. Eu sou viciado em música instrumental, principalmente Post-Rock moderno. Bandas como Russian Circles, This Will Destroy You, Explosions in the Sky, Mono e a brasileira Ruído/MM estão entre as minhas favoritas nesse estilo. Essas bandas exploram muito a sonoridade como forma de passar um sentimento ou uma mensagem mas sem utilizar vozes e letras pra isso, e isso é algo que eu prezo muito em relação à forma que eu componho e toco. A abordagem musical que esse estilo de música oferece vai além do tradicional: bateria e baixo como célula rítmica, guitarras como harmonia e solos e a voz como melodia principal. Elas trabalham diversas camadas sonoras, dinamicas diferentes, muita ambiência, paisagens sonoras rebuscadas e outras formas de emocionar o ouvinte e isso me atrai muito.
Eu também escuto muito jazz e música pop. Sempre busco sons novos, é algo que faço quase como hobbie.
Para citar alguns nomes: Brian Cook, Juan Alderete, Ed Breckridge e Jonny Dang

Com 7 anos de banda. Qual o melhor momento até agora? E o pior?
Acho que estamos vivendo o melhor momento agora. Temos grandes planos e boas perspectivas e estamos muito empolgados! Coisas muito boas estão por vir.
O pior na realidade não foi um período ruim (muito pelo contrário) mas ele foi bem conturbado: O mes antes de entrarmos no programa. Estávamos com o disco pronto pra lançar, tinhamos acabado de tocar no Lollapalooza Brasil e no festival SXSW no Texas, nosso baterista estava prestes a ter uma filha, tinhamos vários planos engatilhados e não sabíamos o que ia acontecer no programa. Isso gerou muita ansiedade e incerteza por um período de tempo, mas os resultados desse momento foram muito bons!

Vocês conseguiram colocar um rock mais pesado como trilha de uma novela da Globo. Isso é um sinal de que o rock ainda pode ter o papel principal na música nacional e o que falta para isso se concretizar? Quais outras bandas da atual cena rock podem surpreender também?
Não sabemos exatamente o porque nem quando mas criou-se uma mentalidade e uma cultura na cabeça de bandas, produtores, contratantes, rádios, novelas e programas de TV de que o rock não era um material comercial. O rock (pesado ou não) sempre esteve aí e sempre teve público. Danse Macabre (a múscia que está na novela) teve um dos maiores índices de aprovação quando tocamos ela no Superstar e ela não é uma música nem um pouco “comercial” segundo os padrões de rádio e TV brasileiros. Isso mostra que o público GOSTA SIM de rock alternativo, mas o mercado reprime muito esse estilo, fazendo parecer que essa sonoridade está abaixo ou à margem do que é comercialmente aceito. Nós não acreditamos nisso e nosso crescimento (e o de várias bandas nacionais) comprova isso.
Supercombo, Far From Alaska, Inky, Medulla, Selvagen a Procura de Lei, Vivendo do Ócio são bandas que estão ai no mercado sempre surpreendendo, conquistando uma legião de fans e levantando a bandeira do rock nacional sempre com uma boa aprovação do público e da crítica. Tenho fé que em breve a mídia também se dará conta de que existe qualidade e espaço pra esse tipo de som no país!

3 discos favoritos?
Em ordem:
3 – This Will Destroy You – This Will Destroy You
2 – Beggars – Thrice
1 – Daisy – Brand New

Poderíamos encarar o disco novo Éter como uma continuação do Real-Surreal? Quais as suas faixas favoritas em ambos os trabalhos?
Não diria que é uma continuação. Chamaria de “evolução”, pois é um trabalho mais maduro e mais direcionado para uma sonoridade que define melhor a banda. Sempre buscamos crescer de um material para o outro e evoluir em todos os aspectos.
Minha favorita do Real/Surreal é “Silêncio” e do ÉTER é “O Peso da Pena”.

Para o grande público ambos os discos são novidade. O relançamento de Real-Surreal não acaba sufocando o trabalho mais novo com algo que já foi trabalhado por alguns anos?
Atualmente no mercado o público é atraído por novidades. Vários artistas deixam de lançar album para lançar uma série de singles e ter novidades a cada mes ou a cada semestre, pelo menos. Pensando dessa forma, quanto tivemos acesso ao grande público, concluímos: “Bom, temos dois CDs (sendo um deles um disco DUPLO). Trinta músicas pra galera consumir. Por que não lançar tudo como novidade pra quem chegou agora? Uma enxurrada de novidade pra galera descobrir.”. E acabou que deu super certo! Como o relançamento do Real/Surreal aconteceu 3 meses depois do lançamento oficial do ÉTER acabou que um impulsionou o outro, ao invés de sufocar. Quem ouvia um dos discos ficava curioso pra ouvir o outro. Todo esse material pra consumir ajudou muito a fidelizar os novos fans.

Dos 7 anos de banda, 6 foram como banda independente. O que motivou a banda a assinar com uma gravadora em uma época que inclusive bandas de Rock consagradas estão fazendo o caminho inverso? Era um objetivo antigo da banda?
Durante nossa carreira recebemos algumas propostas de gravadoras, empresários e outros agentes da cadeia produtiva da música mas ao analizar cada proposta nunca sintíamos firmeza que esses contratos ou parcerias iriam trazer bons frutos para a banda. Não temos nada contra gravadoras e selos, mas só aceitaríamos assinar algo que trouxesse benefícios e crescimento para nós quanto para quem nos assinasse. Quando fomos abordados pela Slap (selo da Som Livre com quem assinamos no fim do ano passado) tivemos a liberdade de negociar o contrato de forma que ele fosse interessante tanto para nós quanto para eles. Eles entenderam a forma como nós trabalhamos no independente e nos mostraram como a estrutura deles poderia nos ajudar a ampliar esse trabalho, mantendo em mente a realidade atual do mercado e as necessidades deles como empresa e nossas como artistas. É nisso que muitas gravadoras pecam, oferecendo um contrato padrão que foi redigido 20 ou 30 anos atras, cheio de responsabilidades impossíveis da banda suprir e dando poucos benefícios para as bandas numa época em que o mercado muda a cada mes. As gravadoras, selos e empresários precisam se adaptar à forma como o mercado é hoje e não tentar trabalhar com base no que acontecia na época em que disco vendia muito.

A Scalene já tinha uma rodagem grande antes do programa Superstar e apesar de não vencerem foram os favoritos do grande público. Com tanta exposição e assinatura com gravadora a banda teve que passar por alguma adaptação sonora ou continua com a liberdade musical de uma banda independente?
Essa é a melhor parte de tudo que aconteceu e está acontecendo. Temos liberdade artística total! No programa tocamos apenas músicas autorais que já existiam muito antes de entrarmos no programa e temos toda a liberdade de compor e lançar nosso material no futuro. Isso pesou muito quando decidimos assinar o contrato, pois não queríamos perder essa liberdade.

Quais os próximos planos da banda? Algum dvd a vista??
Sim, lançaremos o nosso primeiro dvd agora em abril em Brasília e iremos fazer a tour desse DVD no segundo semestre.

Obrigado pelo bate-papo. Que mensagem você deixa pra galera que acompanha o teu trabalho?
Eu que agradeço a oportunidade! Sou muito fã do site e é uma honra poder estar aqui falando de trabalho e diversão, hehe!
Um grande abraço à todos que acompanham o Scalene, muito obrigado pelo apoio durante esses anos! Pra quem tá conhecendo a banda agora, estamos em todas as plataformas possíveis (Deezer, Spotify, Google Play, Youtube, Facebook, Twitter, Uber...). Basta buscar “Scalene”! Espero que curtam o som e até breve!
 

MAIS: www.bandascalene.com.br

 

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Comentários

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