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Entrevista com Jeff Berlin.

Por Jota Jota Oliveira

Entrevista originalmente concedida à Jota Jota Oliveira (Colaborador Baixonatural.com) em seu site Mundo Do Grave.

Idolatrado por grande parte dos músicos do planeta, Jeff Berlin - em recente passagem pela America do sul - conta sobre seu novo trabalho “Low Standards” e da sua opinião a respeito do ensino musical atual e sua eficácia no desenvolvimento dos estudantes de música.

 Estamos em 2013 e - na sua opinião - com toda a tecnologia disponível, ficou mais fácil ensinar e aprender música hoje em dia?

JB. A tecnologia é uma grande melhora, mas as lições que estão sendo ensinadas não são muito boas. Se as aulas da internet estivessem realmente ajudando os músicos a tocarem melhor, então os músicos estariam melhorando, pois a maioria dos jovens músicos vai à internet para aprender. Mas eles não estão evoluindo e as aulas da internet são parte da razão.

Você é um dos baixistas mais respeitados e cultuados no mundo todo, sem contar que é um dos grandes educadores do momento. Como consegue conciliar os inúmeros compromissos com as aulas da sua escola?

JB. Quando eu viajo em turnê, eu tenho dois dos melhores professores de baixo para me substituir. Mas quando estou em casa, eu sou a pessoa que dá aulas de baixo e prática de grupo. A guitarra, bateria e teclado são ensinados por outros professores. Minha escola, The Players School of Music www.playerschool.com é uma escola pequena, mas ainda assim, considerada uma das melhores academias de músicos nos Estados Unidos pelas pessoas que foram lá. Músicos novos precisam aprender música, e não lições bobas sem sentido que são populares entre músicos iniciantes atualmente. 

Sua metodologia de ensino deve ser criticada por muitos puristas, mas você segue firme com seu conceito em relação ao uso do metrônomo e tablaturas, por exemplo?

JB. Eu digo às pessoas que tempo vem de conhecer música e de como tocá-la, e não de uma caixa que faz cliques. Eu também digo às pessoas que tablatura não vem de uma fonte musical e não ajuda a tocar melhor. Um metrônomo faz você parar de tocar no tempo porque o clique se torna uma prioridade, e não a música que você está praticando. Quanto à tablatura, também é um conceito falso de ensinamento usado por professores que não vão ou não podem ensinar música. Pessoas que realmente querem aprender como tocar melhor apenas tem que freqüentar uma escola com um grande conteúdo musical por alguns meses. Mas por alguma razão, muitos músicos não vão. E eu gostaria de mudar suas cabeças se eu pudesse.

Ainda no campo do ensino, pra você o trabalho de escutar discos e transcrever o que se escuta nesses discos ainda é uma das melhores formas de se aprender a tocar um instrumento?

JB. Sim é. É o melhor método de se aprender, pois transcrever é uma vitamina musical de três formas: 1. Você treina seu ouvido pra identificar notas. 2. Você usa seu conhecimento de escrita musical pra escrever as notas no papel e 3. Você pratica as idéias no seu instrumento. Transcrições me abriram para milhares de novas idéias sobre tocar. Mas é algo difícil de fazer se você primeiramente não aprendeu música, então eu sugiro que muitos músicos o façam até que aprendam os princípios acadêmicos e bons métodos para se tocar. Ou eles podem apenas usar seus ouvidos para imitar o que ouvem. Também é um bom método de aprender o que grandes músicos estão fazendo se você não pode escrever as idéias deles no papel.

O Jeff Berlin músico e compositor sempre esteve ligado à música latina, nos seus projetos sempre aparece uma composição nesse sentido. O quanto você conhece da música desses países para aplicar em suas composições?

JB. De maneira alguma eu sou um baixista latino legítimo. Existem muitos baixistas melhores que eu em vários estilos latinos. Mas eu consigo tocar o samba e outros estilos de Latim a minha maneira. Eu toquei muita música Latina com grandes músicos Latinos. Eu até descobri uma maneira nova de tocar o samba no baixo, uma técnica original que descobri quando tentei achar uma alternativa de slap no baixo. Um dia eu gostaria de gravar esse estilo. Mas sim, música latina, especialmente a música do Brasil é uma parte grande daquilo que gosto de tocar. Salsa também. Eu amo a música de Cuba e Porto Rico também.


 Uma das suas qualidades como músico é sempre navegar em várias áreas, é importante para o desenvolvimento e reconhecimento musical não ficar estagnado em uma zona de conforto?

JB. Reconhecimento é algo difícil de descobrir como conseguir, eu poderia fazer coisas interessantes no baixo e nunca ter o reconhecimento que um roqueiro ou cantor receberá. Mas as pessoas tendem a me dar reconhecimento por aquilo que faço no baixo, assim como dou reconhecimento a centenas de grandes músicos, produtores e cantores por seus talentos. Na música, eu amo o que se pode explorar e também o previsível. Tocar para um artista do pop/rock, ou para um vocalista de qualquer estilo, realmente me faz feliz, pois estou tocando algo que vem de outra fonte além de mim. Como um líder, eu tento tocar meu baixo em novas e diferentes formas. Como sideman, eu estou apenas interessado em fazer aquilo que o líder deseja de mim. Os dois casos requerem habilidades musicais, e eu gosto dos dois.

É muito duro ser original hoje em dia?

JB. Não vale a pena procurar por isso. Vai acontecer ou não. Ou você trabalha por isso, ou é abençoado com o DNA para descobrir na sua música. Eu acho que é muito melhor tentar ser um bom músico ao invés de ser um músico original. Em minha opinião ser original é um pouco superestimado, mas ser um bom músico abre as portas e as oportunidades, incluindo se tornar original na sua abordagem musical.

E lá no começo, quais foram os principais ingredientes pra desenvolver seu estilo?

JB. Visão de como você quer soar, muita prática, ouvir muitos cds, tocar com vários músicos, cometer muitos erros e depois consertá-los. No meu caso, eu evitei tocar como outros baixistas depois que terminei meus estudos. Isso de não imitar outros baixistas criou um grande espaço para me preencher. Segurando-me nessa filosofia, eu acho que eu encontrei um grande número de novos conceitos em tocar o baixo. E ainda estou procurando por mais.

Quem são seus ídolo?

JB. Keith Jarrett, Gary Burton Wayne Shorter, The Beatles, McCoy Tyner. No seu país eu sou apaixonado por Gilberto Gil, Ivan Lins, Tom Jobim, e Sergio Mendez, esses são alguns. Amo tantos estilos de música diferentes e tenho vários ídolos, teria uma longa lista aqui.

Nos anos 70 Jaco, Stanley Clark e você eram os caras a serem vencidos... Hoje em dia quem são os TOPS CATS do baixo?

JB. Naquela época, baixo elétrico virtuoso era uma coisa nova. Stanley, Jaco e eu, éramos considerados os três tops. Não havia muitos caras investigando o baixo para alcançar um ótimo potencial musical como parecíamos fazer. Hoje em dia você vai encontrar muitos baixistas, tecnicamente melhores que nós. Stanley, eu e Jaco, se ele estivesse vivo, seríamos os Poderosos Chefões do baixo, os velhos homens impressionados com as habilidades técnicas que novos jovens baixistas tocam, que nunca seríamos capazes de tocar.

Voltando aos dias de hoje o quanto a internet influencia o seu trabalho, hoje você dá aulas pelo SKYPE para alunos do mundo todo, faz clinicas em países como a Argentina você imaginava usar uma ferramenta dessas pra passar seus conhecimentos?

JB. Eu uso a internet pra fazer vídeos que estimulem o interesse musical nas pessoas. Se elas podem provar um pouco daquilo que a educação musical pode fazer por seus modos de tocar, então talvez elas larguem das opções que não funcionam. Por exemplo, as pessoas ensinam groove, conceitos de fretboard, lições de técnicas e até métodos de ensino para destravar seu potencial musical. Eu considero lições como essas como lições vudu. Música é o único modo educacional para melhorar porque groove, técnica e potencial musical acontecem depois que você aprendeu como tocar. O ensino musical vai te dar o groove e vai te ajudar a desenvolver sua técnica.

Seu Canal no Youtube - na minha opinião – é uma das melhores formas de se aprender ONLINE , você pretende continuar postando vídeos freqüentemente?

JB. Sim. O canal do youtube The Players School of Music é uma ótima opção pra aprender música pela internet, pois os conceitos são quase sempre musicais em natureza. Se eu quiser aprender Português, eu tenho que aprender as palavras. É assim que ensino musica. Se você quer "falar" música, você tem que aprender as "palavras". É por isso que considero nosso canal no youtube uma ótima oportunidade musical se alguém quer melhorar como músico. Mas devo dizer que nada substitui sentar-se numa sala comigo ou um dos meus professores e aprender dessa forma. Nenhuma lição de internet pode substituir a oportunidade olho no olho de aprender.

Recentemente testei um amplificador Mark Bass que era Signature Jeff Berlin, como vocês chegaram a um som tão perfeito assim?

JB. Fico tão feliz que tenha gostado do meu amplificador. Por dez anos, eu não aceitei nenhuma oferta de endorser com nenhuma empresa, pois não conseguia acertar com eles o som que eu procurava. Um dia, Marco Devirgiilis, o fundador da Markbass me escreveu um email e me perguntou se eu testaria esse amp. Ele me mandou um modelo standard Markbass 15" cabinet. O momento que ouvi o som do meu baixo saindo desse amp fiquei sem palavras. Não podia acreditar no som que saia dessa caixa. Escrevi um email pro marco e perguntei se poderia ser endorser. Então ele se ofereceu a fazer qualquer tipo de amp que eu quisesse, mas pedi se eu apenas podia tocar no amp que ele me enviou. Pedi pra ele tirar o tweeter, pois não gosto do som dos tweeters. marco tirou o tweeter e colocou "Jeff Berlin" no amp. Considero o som deste amp o som mais doce e impetuoso de um amp de 15 que eu já toquei.

Fale-nos sobre seu novo CD “Low Standards”.

JB. Eu o considero o melhor cd solo que já gravei. É a primeira vez que um cd inteiro foi gravado com um baixo acústico acompanhando um baixo elétrico o cd todo. E funciona. Eu cobri a maior parte do baixo elétrico, solo e harmonia. Richard Drexler toca o acústico e também toca o piano. Quando terminei os solos, ele deixou o acústico e foi pro piano e tocou seus solos. Esse cd é ao vivo e estou orgulhoso de todo o som que fizemos na gravação.

Pra fechar a tampa, que conselho você daria para um músico ou aspirante a músico para chegar tão longe quanto você chegou?

JB. Tenha paciência! Tenha ética de trabalho. Ame a música. Ame estudar. É isso. Se você combinar esses quatro conceitos, você abrirá oportunidades de tocar nessa indústria musical louca que todos fazemos parte.

Colaborou nessa Matéria: Keila Abeid keila@keilaabeid.com www.facebook.com/keilaabeid

Gostaria de agradecer a Vicky Fulop Berlin, pela gentileza e atenção dada a mim sem sua ajuda esta matéria não poderia ter sido feita! Thanks Vicky :)

PRA SABER MAIS.
www.playerschool.com
Contact: Vicky Berlin +1-727-725-1445 Ext 13

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Comentários

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