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BAIXONATURAL ENTREVISTA HEITOR GOMES

Por Ariel Andrade
 
 
Filho do grande mestre Chico Gomes, Heitor sempre resolveu trilhar o seu próprio caminho, fazendo por onde, através de sua técnica, bom gosto e criatividade, ser hoje considerado um dos grandes nomes do contrabaixo brasileiro de sua geração. Do pizzicato ao slap, da palheta ao triplo domínio nas oito cordas, Heitor Gomes vem representando muito bem o seu instrumento na história do rock nacional. Com ótimos trabalhos em bandas como Charlie brown Jr, CPM22 e em seu atual projeto solo (Gomes do 8), Heitor mostra que filho de peixe, peixinho é. E em um bate-papo exclusivo com o Baixonatural.com ele nos conta em detalhes tudo o que se passou até aqui em sua carreira e tudo que está por vir.

Heitor, seu pai é uma grande referência no contrabaixo brasileiro. Como se deu o seu primeiro contato com a música e com o contrabaixo? Foi natural ou teve aquele "empurrãozinho" do seu pai?
Meus primeiros contatos com a música foram realmente por grande incentivo do meu pai, eu tinha uns 15 anos, quando meu pai veio ter uma conversa séria comigo  para me ajudar a sair de uma fase difícil que eu estava passando. Ele disse que eu deveria estudar música, eu levei muito a sério o que ele me disse. Então comecei a me dedicar indo tomar as primeiras lições, passando a ir para seu estúdio frequentemente e passava o dia inteiro treinando, estudando, ouvindo discos de vinil, fitas cassetes e assistindo fitas vhs de técnicas para contrabaixo de diversos contrabaixistas, além de assistir ele dando aulas, tocando, criando, gravando seus discos solos e com participações, enfim toda uma atmosfera de um grande músico e cientista do contrabaixo, no caso o meu Pai, o mestre Chico Gomes. Sou muito grato por tê-lo como meu mestre.
 
 
Falando em referência, quais são as suas maiores influências?
Minhas maiores influências são o Flea, Aston “family man”, Marcus Miller, Victor Wooten,  Jaco Pastorius, John Paul Jones, Les Claypol, Arthur Maia, Thiago Espirito Santo, Robert Trujillo, Matt Freeman, Scott Shiflett, Tony Levin, Stanley Clarke, Larry Grahan, Cliff Burton, Tim Commerford, Sam Rivers e claro meu mestre maior referencia na música meu pai querido Chico Gomes.
 
 
Depois da morte do Chorão muitos tributos ao Charlie Brown Jr surgiram buscando homenagear e preservar a imagem dessa banda que marcou época no Brasil. Você que esteve lá dentro pode nos contar como foi esse processo de entrada na banda? Como foi a experiência de fazer parte de uma das maiores bandas de rock do Brasil?
Eu recebi uma ligação em um domingo às onze horas da noite. Era um domingo de carnaval dia 6 de fevereiro de 2005. Me ligou o Pinguim (atualmente baterista do Bula) e me perguntou como eu estava e se eu estava tocando e disse para eu me preparar para um teste que haveria no dia seguinte. Foi uma surpresa porque eu deveria estar indo para São Paulo na segunda seguinte e eu não poderia faltar. Acabei dando uma desculpa bem dramática (risos) e consegui estar no local  e hora marcado para o teste. A princípio era para tocar em um projeto paralelo do Chorão chamado “Chorão Tour 2005”. Mas tudo bem logo explico melhor. No primeiro dia eu achava que já iria ver todos e tocar com todo mundo mas não. Acabei tocando somente com o baterista. Foi bem legal diga se de passagem mas a ansiedade só aumentava. Acabou que marcamos para tocar no dia seguinte mais uma vez. Fui para casa e descansei. Na terça-feira cheguei novamente no estúdio lá pelas 14 horas da tarde e ai rolou sonzera pra caramba! Thiago Castanho chegou e junto com o Pinguim na bateria tocamos por horas. Foram muitas músicas do CBJR e muitas jams cheio de improviso. Ou seja, um verdadeiro teste! Thiago curtiu e com isso só aumentava minha expectativa em fazer parte daquela gig monstra! Mas ainda não iria ser  naquela tarde que eu iria reencontrar o Chorão e enfim conseguir tocar com o maior “front man” do Brasil. Voltamos para casa e eu ja não aguentava mais de ansiedade para saber o que iria acontecer! Chegamos na quarta-feira e então realizei o sonho! Toquei com o Chorão, Thiago e Pingüim e foi uma P..%#@ sonzera! Passamos na verdade umas 3 ou 4 músicas e o Chorão começou a conversar e então me fez o tão esperado convite:
-Então Heitor, está disposto a não ter hora pra comer, dormir e viver no corre da estrada?!
Eu então respondi:
-Serio?! Nem acredito! Lógico!! É o que mais sonho em fazer!!
Daí em diante comecei a ir todo dia para o estúdio do Thiago Castanho, onde havia sido o teste e começamos a nossa jornada. Como eu havia dito anteriormente na mesma pergunta como “Chorão Tour 2005”.
Um mês depois a gente ensaiando chegou a bomba! Chorão entrou no estúdio e nos contou que estava se separando da banda e que nós iríamos assumir o Charlie Brown Jr. daquele dia para frente!
Foi com muito suor que conseguimos assumir a banda e mostrar que nos éramos capazes de manter a qualidade do CBJR. Eu fui o mais cobrado, e não decepcionei modéstia à parte. Primeiro show foi uma enorme pressão. Havia grande expectativa em torno de quem iriam ser os novos integrantes do CBJR. Os primeiros shows não foram muito fáceis. Os fãs mais “chatos”da banda cobravam muito e o Chorão nesse ponto foi muito parceiro. Me ajudou  a superar essa fase junto de Graziela sua esposa e que considero minha madrinha do rock por ter me dado confiança para ir em frente e superar todos os obstáculos.
Mas isso não durou por muito tempo. Aliás foi bem no começo e logo vieram as primeiras aparições em video clipes e programas de tv. O primeiro single com a nossa formação foi “Tamo aí na Atividade" que tinha uma abertura com “O futuro é um labirinto pra quem não sabe o que quer” do dvd “Skate Vibration" e que futuramente estaria no disco “Imunidade Musical”. Tudo isso de 2005. Rolou esse video clipe com producão de Johnny Araújo e tinha uma cena que rolava um wallride manobra de skate com o grande Bob Burnquist e que virava para o reggae de “tamo ai na atividade”. Muito style! Irado! Aliás esse dvd é muito F@DA! (risos)
E depois muitas coisas boas aconteceram! Gravei dois dvd’s e três cd’s. Os discos Imunidade Musical de 2005 com a musica “senhor do tempo” ganhadora do prêmio multishow de melhor música no Brasil em 2006, Ritmo Ritual e Responsa de 2007 trilha do filme de Chorão “O magnata" e Camisa 10 joga bola ate na chuva de 2010, esse ganhador do Grammy Latino e os dvd’s Skate Vibration e o Ritmo Ritual e Responsa ao vivo na zona leste. Tivemos muitos dias de luta mas também muitos dias de glória! Foi minha faculdade e pós graduação da música esses anos de CBJR.
 
 
Sua saída da banda assustou seus fãs que até hoje admiram seu bom gosto e ótima técnica. E pra você como foi essa situação? Restaram mágoas?
Minha saída foi no momento certo. Eu estava na banda seis anos e meio e já havia cumprido minha missão. Me sentia realizado. Havia realizado meus sonhos! Sentia que eu deveria seguir meu caminho. E eu estava certo! Eu não sai chateado mas sim aliviado! E além do mais logo haveria um novo convite de uma grande banda de rock e que me faria muito feliz! Eu não saberia nunca que isso poderia acontecer mas aconteceu! O raio caiu duas vezes no mesmo lugar! (risos)
 
 
Em seguida você entrou em outra grande banda de rock, o CPM22. Como surgiu o convite e como foi toda essa experiência de inclusive gravar ao lado de Badauí e cia?
O convite veio através de um telefonema do guitarrista do CPM. Eu já conhecia Badaui e Japinha e foi uma grande surpresa! Eu estava em casa e só havia passado uma semana que eu havia me desligado do CBJR. Foi muito rápido a retomada para a estrada e logo eu estava tocando novamente. Tive bons momentos ao lado de Badaui e cia. Foram momentos irados e de muita adrenalina seja na estrada ou em estúdios e programas de tv. Gravamos o video clipe de “Abominável" do disco “Depois de um longo inverno”. Irado!! Com direção de Daniel Ferro e com muito conceito. Ficou style demais! Gravei também o dvd e cd ao vivo acústico Cpm22 em 2013. Imagens de cinema e uma enorme produção! Sonzera demais! E por fim tocar no Rock in Rio em 2015 no palco mundo para quase 100.000 pessoas ao lado de Queen of the stone age e o System of down! Surreal! Incrível! Foi impressionante!
 
 
Acredito que mesmo você, fazendo um som numa pegada totalmente diferente da que ficou conhecido, nunca deixou de praticar a técnica de triplo domínio do seu pai...
Sim! Exato. Eu sempre admirei muito a técnica do meu pai. Sempre achei incrível a forma que ele desenvolvia as músicas no contrabaixo de 7 cordas a principio e depois no de 8 cordas. Ele me passou seu instrumento de 7 cordas do finado luthier Ladessa e eu comecei a tocar algumas musicas e desenvolver meu repertório. Em 2007 subi ao palco no stand da Giannini na feira internacional da música em São Paulo e toquei ao vivo pela primeira vez a técnica do triplo domínio ao lado de meu pai, mais uma enorme realização na minha carreira.
 
 
E sobre o seu novo projeto Gomes do 8 que sempre aparece aqui pelo Baixonatural.com, fale-nos um pouco sobre ele...
O Gomes do 8 é a continuação de toda essa história que meu pai desenvolveu. Eu estou homenageando meu pai meu mestre, o Chico Gomes, com esse projeto. Lançado em 2014 o Gomes do 8 já possui dois ep’s com 8 webclipes produzidos e com participações especiais de gente da cena principal da música nacional como o Pe Lanza (Restart) e Ivan Sader (Roks,TREN). Tenho feito shows e parcerias com uma galera do rap também como o mano Rhossi (pavilhão9).  Conto com uma galera da pesada da música no projeto e que são meus grandes amigos, o baterista Bruno Graveto (cbjr,strike) e o Dj Junior (Latino) além da rapper Ingrid I.N.R minha namorada que canta e faz músicas comigo.
 
Foi dura essa adaptação para o 8 cordas? Como se deu essa preparação?
Foi muito dura! (risos) Mas tive o meu pai, meu mestre Chico Gomes que me incentivou muito. Eu acompanhei o mestre em muitos momentos da sua carreira e aprendi demais. Vi meu pai muitas vezes se apresentado e dentro do estúdio treinando e compondo. Foram muitas experiências e muita vivência com o mestre  que me deram muita inspiração e de certa forma facilitou minha adaptação.  Eu vi ele no começo se apresentando ao lado de grandes nomes da música nacional e até mundial.  Eu tenho foto com 17 anos já com o baixo de 8 cordas do meu pai no colo e tentando tocar. Eu comecei a treinar o triplo domínio com uns vinte e poucos anos. Em 2007 realizamos um workshop na expomusic no stand da Giannini, e foi quando eu me apresentei pela primeira vez tocando baixos de mais cordas que o convencional. No caso o baixo era de 7 cordas. Desenvolvido pelo finado luthier Ladessa e que meu pai havia tocado muito e feito muita história com o mesmo e passou para eu começar a tocar o triplo domínio. Um belo presente na verdade! Uma honra e merecimento também. Me lembro de ter ficado um mês “internado" no estúdio me preparando muito para tocar na Expomusic. Em 2009 meu pai me convidou para produzir o disco do projeto criado por Ele o Los Gomes Company entitulado “O espaço do baixo” e nessa experiência eu aprendi muito. Nós produzimos o disco e eu ainda gravei uma faixa composta por ele e com o baixo de 8 cordas dele também chamada “Reação”. Nós chegamos a fazer videos tocando juntos e estava ficando bem legal a nossa união no Los Gomes Company e ainda tocando juntos com dois baixos de 8 cordas. Estava incrível!
Mas logo após em 2010 meu pai teve um problema sério de saúde e impossibilitou a gente de tocar novamente e eu tive que seguir em frente.  Terminei a produção do nosso disco junto com Ele já acompanhando e se recuperando da cirurgia que havia passado bem complicada. O incrível foi vê-lo gravando com a mão esquerda no teclado sons de cordas e flauta para uma de nossas músicas que esta no disco. Para quem não sabe meu pai teve um problema de saúde bem sério e teve que fazer uma cirurgia muito complicada e que causou múltiplos avc’s. Ele ficou internado por 3 meses na uti e ao retornar do coma induzido bem antes do fim da internação ele teve seu lado direito paralisado. Foi muito duro isso para nós dois e toda nossa família.  Até hoje eu sinto a falta de ter o mestre ao meu lado mais próximo.  Mas ele está tranquilo descansando e estudando. Toca e é mestre sempre! E com todas essas dificuldades Ele continua  se dedicando e isso me deixa feliz.
Com isso eu comecei a fazer o meu repertório. Comecei a me de dedicar com mais afinco para ter o meu próprio projeto.
Levaram anos para eu conseguir ter a coragem para tocar novamente com o baixo de 8 cordas. Eu não achava que estava preparado para me apresentar. A técnica “triplo domínio" do mestre Chico Gomes exige muito dedicação e eu sou perfeccionista e outra coisa que me dificultava era o fato de estar sempre em viagens tocando com o Cpm22. Eu não conseguia ter a segurança necessária para marcar uma data e fazer a estreia do Gomes do 8. Houveram momentos que eu tive que deixar de tocar um tempo por conta de gravações e isso me fazia regredir um pouco. Mas sempre que Eu podia e que estava em casa eu me dedicava e continuava meu objetivo de aumentar meu repertório. Em 2014 eu lancei o projeto Gomes do 8. E nesse ano fiz a estreia na Concha Acústica em Santos no mês de julho. Foi emocionante tocar para uma plateia repleta de amigos e familiares e eu realizei mais esse sonho! Foi muito bom poder fazer essa homenagem para meu Pai.
 
 
Fale pra gente um pouco do seu equipamento. O que você vem usando de baixo, amp, cordas etc?
Contrabaixos eu uso um Fender 4 cordas precision americam deluxe, Music Man 4 e 5 cordas sting ray, mais baixolões Fender além do baixo de 8 cordas. Uso encordoamentos Giannini. Duas pedaleiras uma para o baixo com wah, synth, chorus, drive, pré e afinador e uma para a saída de guitarra do baixo de 8 cordas com um pre valvulado da meteoro além dos pedais de delay, drive e wah. Amplificação Ampeg SVT-Vr para o baixo. Para guitar o pré meteoro.
 
Vi que você está também fazendo uns show com uma galera animal que inclusive também fez parte do Charlie Brown, o T.R.E.N. Como surgiu essa idéia e vocês tem plano de se tornarem uma banda de tempo integral?
Sim o T.R.E.N é uma ideia dos músicos Bruno Graveto e Ivan Sader, que tem a intenção de juntar músicos e amigos da cena principal e me convidaram para ser o baixo da banda. Então sempre somos nós três e o guitarra que dependendo da logística acabamos optando por um amigo ou outro amigo. Ainda bem que temos muitos bons amigos e ainda músicos geniais! Começamos com o Phil do detonautas na guitar. Mas já fizemos com o Tavares (Fresno), André (bula) e teve recentemente com o Marcão, e vamos continuar a divulgar essa idéia.
 
 
Quais os planos para o seu projeto Gomes do 8 para 2016/2017? Já pensou em de repente gravar um disco ou até um dvd?
Eu devo finalizar a primeira projeção que tivemos em parceria com a PxProduções do meu amigo Felipe Travitzky que era de lançarmos 3 ep’s contendo três musicas instrumentais e uma com participação de voz totalizando 4 musicas por ep num total de 12 webclipes. Já foram lançados dois ep’s com as participações do Pe Lanza interpretando “Drive” da banda californiana Incubus no primeiro ep e Ivan Sader na versão de “Santeria” do Sublime no ep2. Agora quero lançar em breve o ep3 com mais uma participação dessa vez da Ingrid I.N.R minha namorada e rapper mandando ver em “Rap é Compromisso” do Sabotage, além do Dj. Junior que toca comigo no Gomes do 8 e já gravou “Concrete Jungle" do Bob Marley que fará parte do terceiro ep.
Além disso devo lançar em 2017 o primeiro cd do Gomes do 8.
 
Para finalizar, deixe uma mensagem para todos aqueles que apreciam o seu trabalho e uma dica para quem quer viver de tocar contrabaixo.
Quero agradecer muito a admiração e respeito de todos pelo meu trabalho, e dizer que para viver de contrabaixo deve se dedicar e procurar boas referências para se tornar um bom músico, profissional e por fim ter bons trabalhos.
 
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Comentários

09 OUT 14h21
Maurício Vasconcelos

Admiração total pelo grande amigo Heitor Gomes. Ao mesmo tempo em que me sinto orgulhoso de ser fã dele como músico foi criada uma grande admiração por ele como pessoa a partir do momento em que tive a oportunidade de realizar o maior sonho de minha vida que era conhecê-lo pessoalmente. Que Deus ilumine sempre sua trajetória é abencoe vc é sua família irmão! !!!


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