Entrevistas

Mais Entrevistas


Veja Todos

Inicial Entrevistas Baixonatural Entrevista Frank Negrão.


Baixonatural Entrevista Frank Negrão.

 

Por Ariel Andrade
 
 
Primeiramente agradeço imensamente a oportunidade de entrevistar você, obrigado. Vamos lá!
 
1)      Nos conte como você começou na música e quando decidiu se tornar profissional, como foi essa decisão?
 
Eu comecei a tocar de fato, por influência de alguns amigos que já tocavam e dominavam bem o instrumento na época e desde garoto, eu já tinha uma inclinação para as artes, principalmente visuais. Nesta época eu já tinha 21 anos de idade e com quatro meses de aprendizado, já estava tocando em uma banda de rock que durou mais de 17 anos.  Durante os primeiros anos, a música era apenas um hobby, mas sempre fui muito interessado em aprender técnicas e desde o início fui curioso em relação aos aspectos mais complexos em se tratando de contrabaixo. Quando decidi viver de música, eu já tinha 27 anos e foi uma decisão muito difícil, haja vista que estava abandonando tudo para fazer música e esta atitude envolvia muitos aspectos econômicos que só fui compreender depois, porque eu estava entrando em um ramo musical extremamente competitivo e por vezes cruel. No entanto, nunca me arrependi da decisão e hoje sou muito grato à vida por ter alcançado alguns êxitos, tanto em reconhecimento vide alguns prêmios tais como o Prêmio Braskem de Música e Artes em 2007 e o Festival de Música Educadora FM em 2008, onde fui agraciado com o prêmio de melhor intérprete instrumental, como no aprendizado que segue constante.
 
2)      Recentemente assisti o seu dvd, e nele possui referência clara a um ?bass club? tanto nos depoimentos quanto numa canção. Fale-nos sobre este Bass Club e no que ele influenciou você e seu jeito de tocar.
 
O ?Clube do Baixo? ou Bass Club como gosto de chamar, foi uma ideia de meu primeiro prof.  de contrabaixo, o Jota Anderson, para que nós baixistas pudéssemos trabalhar com todas as gigs que aparecessem e então um substituiria o outro, quando houvesse a necessidade de fazer trabalhos em que os horários das jornadas de trabalhos com ensaios e shows  coincidissem. A nossa atividade em relação à remuneração, é muito instável e por muitas vezes aparecem oportunidades em que se pode ganhar mais, porém em diversos momentos, já estamos fazendo outros trabalhos e para que ninguém saia prejudicado, criamos esse rodízio de baixistas e no final todos acabam sempre tocando e ganhando cachês e trabalhando regularmente. Partindo desta ideia foi que criei a canção Bass Club que acabou se tornando o hit de meu disco, o cd Soar. Fazer trabalhos diferentes com pessoas diferentes contribuiu muito para que eu adquirisse experiência de palco e a habilidade de memorizar arranjos e músicas com muito mais fluidez, além disso, aprendi a me posicionar profissionalmente falando.
 
3)      Falando em influência. Quais as suas maiores referências no mundo do contrabaixo e na música em geral?
 
Quando eu comecei, havia bem menos caras para se inspirar do que temos hoje em dia. A cada semana aparece um novo bass hero e isto é maravilhoso, pois demonstra que se você acredita e foca no objetivo, chega a hora em que as barreiras cedem. No meu começo eu imaginava que os mestres já nasciam prontos, mas depois percebi que nada vem para você se não houver esforço, paciência, dedicação e amor. Ouvir os mestres Marcus Miller, Jaco Pastorius, Victor Wooten, Jeff Berlin, Stanley Clarck, Celso Pixinga, Arthur Maia, Nico Assumpção e Gary Willis ainda me causa euforia, surpresa e muito prazer. Verdadeiros gênios da música contemporânea. Com os anos e as pesquisas, a gente acaba descobrindo outros sons e outras abordagens e hoje um dos baixistas que mais me influenciam tanto musicalmente como na maneira como enxerga a vida é o chileno Christian Galvez. Um verdadeiro fenômeno que tive a maior satisfação em dividir o palco em 2011 aqui em Salvador. Além destes aprecio também Matt Garrisson, Hadrien Feraud, Dominique di Piazza, Wayman Tisdale, Michel Alibo, Richard Bona, Jimmy Johnson e Mark Egan.
 
 
4)      O seu DVD foi um grande passo na sua carreira como artista solo. Como surgiu essa ideia, essa vontade? Já pensa no próximo? Se sim, o que podemos esperar dele?
 
Este trabalho foi feito muito no esquema ??cara e coragem??. Eu sentia a necessidade de gravar algo novo, pois na época já tinha muito tempo sem lançar nada de novo. Tive pouco tempo para ensaiar, arranjar e fazer a pré-produção de todo o trabalho que foi gravado ao vivo sem muitos overdubs. Sempre comento com amigos em tom de comédia que minha função dentro deste trabalho foi de roadie até artista principal. E isto é uma afirmação verdadeira. Fiz quatro shows semanais e gravei o último. Saía pela manhã para agilizar todo o processo e só parava no apagar das luzes do Teatro Gamboa Nova. Foi uma verdadeira batalha fazer a produção geral deste trabalho que após dois anos de gravado, sinto que foi o fechamento de um ciclo em meu processo de busca pala evolução musical. Meu próximo lançamento que já está pré-agendado para o final deste ano será também um novo DVD. Minha forma de compor, arranjar, tocar e produzir mudou um pouco nestes dois últimos anos. Este novo trabalho virá com muita riqueza rítmica e harmônica onde vou explorar muito a técnica de improvisação sobre harmonias não usuais, sempre valorizando a melodia que é uma marca registrada em minhas composições. É algo que tem me dado muita satisfação em conceber e já tenho as nove músicas prontas do que penso e como será o projeto, que possivelmente terá um formato de documentário e making-off.
 
 
5)      Quais os projetos de Frank Negrão para o ano de 2013? E o que o Frank Negrão anda fazendo hoje em dia no meio musical?
 
Meus planos para 2013 são basicamente produzir minha música e voltar aos palcos de música instrumental já que os últimos dois anos foram dedicados exclusivamente ao estudo e pesquisa musical. Fiz poucos shows nesse período e o último que fiz foi na Europa no final do ano passado em Montreux na Suíça e adjacências. Continuo tocando com os artistas locais aqui na Bahia e o foco principal é buscar a evolução musical.
 
6)      Qual o set de equipamento que você está usando hoje em gravações e apresentações ao vivo?
 
Em gravações eu costumo gravar o baixo direto e em linha, pois além de mandar o sinal real do contrabaixo, a meu ver, fica mais fácil para acrescentar efeitos quando necessário. Não gosto de usar amplis em gravações, mas isto não é uma regra. Sou aberto a tudo que deixe meu som satisfatoriamente bom em termos de timbre. Ao vivo uso pouca coisa. Basicamente um POD XT live bass programado com os timbres que gosto ou por vezes uso o contrabaixo plugado direto no amplificador. Tudo depende das condições que vou encontrar nos eventos em que sou contratado para acompanhar.
 
7)      Sabemos que o nordeste é uma região rica em swing e musicalidade, você como baiano, como que vê a cena da música instrumental na Bahia e que baixistas hoje em dia andam chamando a atenção por lá?
 
 A cena instrumental baiana carece de casas noturnas especializadas e bandas. Temos poucas bandas e poucos espaços públicos e ainda que o interesse no estilo seja muito grande, temos pouquíssimo espaço na mídia. É uma pena. A Bahia é um celeiro de baixistas talentosos desde muitas décadas. Impossível falar de contrabaixo e não falar de caras como o virtuoso Cesário Leone, o jazzman Ivan Bastos, o divisor de águas Luciano Calazans, o mestre das linhas perfeitas Gigi Cerqueira, o eterno grooveiro Natinho Santos, o mestre Joel Moncorvo, o maestro Alberto ??Eddie Murphy?? Santinni, Junior Petecão entre outros. Todos em plena atividade tocando muito e ainda com muito assunto e muita informação interessante pra gente beber. Temos também os mestres que ficam entre os da velha guarda e os novos talentos que são Leonardo Lima, Alexandre Montenegro, Augusto Albuquerque, Jota Anderson etc. Da nova geração eu observo que caras como Nino Bezerra, Jean Nascimento e Dill Oliveira vão levar o contrabaixo baiano para uma nova direção que será difícil da gente acompanhar. Muito talentosos todos os citados.
 
 
8)      O que o Frank Negrão anda ouvindo recentemente e qual disco nenhum baixista pode deixar de ouvir?
 
Olha Ariel, como disse anteriormente tenho feitos diversas pesquisas musicais. Como fiz poucas oficinas de música e aulas particulares, 70% do que toco é autodidata. Baseado nesse aspecto eu desenvolvi certas formas de assimilação de informação que por vezes podem estar fora dos padrões habituais de aprendizado. Então, desde que resolvi estudar harmonia e improvisação de forma séria e concentrada ainda que por conta própria, tenho me dedicado a esta técnica com muita determinação e a cada dia que se sucede, percebo que por mais que estude ainda estou no início de um longo processo que me parece infindável. Estas conclusões me levaram a percepção da necessidade de construir uma identidade musical que me remetesse a uma musicalização mais original e personalizada. Por conta disto hoje em dia não ouço mais baixistas como forma estudo no que diz respeito à assimilação-cópia-execução. Hoje em dia ouço meus mestres baixistas de uma forma mais contemplativa, observando e reverenciando apenas e não mais copiando. Baseado nesse novo momento, eu restringi todo o excesso de informação que chegava até a mim e em nível de estudo eu ouço apenas Allan Holdsworth sistematicamente e estudo apenas um único livro que é o Thesaurus of the Scales and Melodic Patterns de Nicolas Slonimsky. Essa é a minha bíblia onde Allan é o profeta maior. Um bom disco pra ouvir e ficar um bom tempo extasiado e confuso é o Nomads Lands do Sixun com Michel Alibo no baixo.
 
9)      Como tem sido a experiência de rodar o Brasil nos festivais de baixo organizados pelo Celso Pixinga?
 
Espetacular. Sem sombra de dúvidas, Celso Pixinga é a maior referência viva hoje no contrabaixo brasileiro. Estar ao lado dele algumas vezes para mim soou surreal, mas a humanidade do mestre é tão grande que o mesmo te faz se sentir amigo de longas datas. Celso Pixinga me descobriu tocando na Expo Music em São Paulo tocando junto a Arturzinho Aguiar e de lá pra cá eu só tenho muito a agradecer a ele por ter acreditado na gente e mais especificamente em meu potencial naquela época. Sou eternamente grato a Celso Pixinga e aos Festivais que o mesmo promove, pois sem eles com certeza a classe dos baixistas não seria no Brasil o que se tornou hoje.
 
 
10)   Deixe uma mensagem para todos aqueles que admiram seu trabalho e buscam um dia tornarem-se profissionais.
 
Obrigado a todos pelo apoio e consideração. Espero em breve musicalmente estar no mesmo nível das demonstrações de carinho e apoio e respeito que recebo de todo Brasil e de fora do país de pessoas que assim como eu, buscam um dia se tornarem mestres como nossas referências no instrumento também conseguiram. Sejam humildes no trato com a música, pois a mesma é indomável. Ainda que saibamos todas as regras musicais e tenhamos a habilidade de quebrá-las, nunca seremos maiores do que a música. Seja generoso e compartilhe informação. Nico Assumpção um dos mais perfeitos baixistas de todos os tempos e de personalidade extremamente forte esteve na Bahia e disse isto: ??Quanto mais você compartilha, mais você aprende??. Obrigado Ariel e ao site Baixo Natural e vamo nessa!!!!!! My life is my bass.
 
Junte-se a nós no Facebook em http://facebook.com/baixonatural e nos siga no Twitter http://twitter.com/baixonatural

Comentários

23 JAN 20h27
fabio jose

som do baixo muito lindo,pegada forte com sutaque de grooveiro, um musico completo adimiro muito esse nego comseguil juntar otimos musicos ,e fez um som pica ,,,um forte abraço que deus te abençoe nego...muitos grooves pra vc.....


23 JAN 21h37
Taylon

Frank Negrão grande baixista e compositor, passa muita musicalidade em seus temas!!! Jogue duro Frank...


24 JAN 10h38
Rose

Frank negrão,grande amigo q me passa muitas dicas e toca muiiiitooo... Que Deus continue a te abençoar e a te capacitar, na sua caminha da vida ou nos braços do contra baixo...Vc é especial e desejo td de bom... Vc c seu contra baixo nos traz muitas alegrias... Continue sempre ser a pessoa q vc é... Fica c Deus!!!


24 JAN 11h15
Alysson

Parabéns mano...que Deus abençoe vc cada dia mais, nós músicos sabemos o quanto este caminho é difícil, mas ainda bem que existem caras como vc com coragem para percorrer e levar a música à serio.

Abraços
Alysson


21 FEV 07h24
dyqYmOSqhgLsbQ

Bia, acho que sou um dos poucos amgois seus que ainda ne3o viu um show seu. Mas desejo de corae7e3o que a Levada do Jazz te leve a lugares sonhados. Sua voz e9 linda e seu humor e9 fanico! Ale9m do que vocea menciona a Cacilda Becker na sua estre9ia desse blog. Ne3o precisa dizer mais nada. Que os Deuses do Teatro te protejam e te guiem!!! Sucesso!!!!


25 FEV 03h41
hMgTFkba

KWePf4 tclenwhffroq


12 MAI 15h27
guilherme

muito bom gostei mais quando o jean solo




Deixe seu Comentário

  • Teu Nome:
  • Teu e-mail:
  • Site/blog ou twitter:
  • Pode falar:
  • CAPTCHA Image
    Recarregar imagem



    Informe o código acima:

 

  • Newsletter Receba as atualizações no seu email

  • Newsletter Compartilhe

    Facebook Twitter Youtube Flickr
Acesse o antigo blog do
BAIXO NATURAL
Quem Fez? Foi a Bredi

Copyright © 2011 Baixo Natural. Todos os direitos reservados - De Andrade Corporation